segunda-feira, agosto 01, 2005
Antigamente...
ANTIGAMENTE, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficava longos meses debaixo do balaio. E levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. As pessoas, quando corriam, antigamente, era de tirar o pai da forca, e não caíam de cavalo magro.Algumas jogavam verde para colher maduro, e sabiam com quantos paus se faz uma canoa. O que não empedia que, nesse entrementes, esse ou aquele embarcasse em canoa furada. Encontravam alguém que lhes passava manta e azulava, dando às de Vila-diogo. Os idosos, depois da janta, faziam o quilo, saindo para tomar a fresca; e também tomavam cautela de não apanhar sereno. Os mais jovens, esses iam ao animatógrafo, e mais tarde ao cinematógrafo, chupando balas de altéia. Ou sonhavam em andar de aeroplano; os quais, de pouco siso, se metiam em camisa de onze varas, e até em calças pardas; não admira que dessem com os burros n'água.
(Veríssimo)
E hoje??? E amanhã? As coisas estão andando em um ritmo assustador... Polícia virou sinônimo de bandido, político de corrupto. Música deixou de ser música e virou uma mistureba de batidas e palavrões. Não, não quero viver em uma ditadura... Quero simplesmente poder ficar velha e dizer: "Antigamente...". Que inveja da minha avó!
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2 comentários:
ser velha e dizer antigamente n eh uma das melhores coisas a se fazer, pq meio q implica o desentendimento ou a nao concordancia com o q esta acontecendo atualmente... mas msm assim... pod fik trank q o mundo vai mudar e mto! vai acabar q vc vai poder soltar o seu antigamente....rs
Medo do novo. Isso, exatamente assim... Medo do novo!
Sempre temos medo do novo. Incerteza para decidir o que pode de uma vez por todas modificar radicalmente nossa vida. É como você mesmo disse...
Por isso tendemos a achar que o nosso, e quando digo “o nosso” quero dizer, o que temos o que conhecemos o que dominamos e o que vivenciamos é sempre o melhor.
E dessa forma um dia dirá... No meu tempo... Ah! No meu tempo não era essa loucura de hoje, existia versatilidade nas letras das músicas, havia mais liberdade para o compositor e ninguém se chocava assim tão fácil com as éguinhas pocotós da vida, havia democracia em todo o sentido da palavra, tínhamos até um operário que foi presidente da República.
Evidentemente sem apologia a nada, porém analisando o lado bom das coisas desta geração que aí está e que... Diga-se de passagem... Já não me pertence mais... Diria Xissssslaine, afinal faltam apenas 4 meses para as minhas 52 primaveras. Não era assim mesmo que se dizia? Primaveras. Li isso aqui, no seu Blog.
Por tanto minha filha, não se preocupe, tenha certeza que terás coisas belíssimas, sem querer fazer referência à novela e já fazendo, para dizer aos seus filhos e netos.
Poderá dizer até que no seu tempo você podia escrever coisas lindíssimas em um Blog e que os senhores de gerações passadas podiam comentar e mandar um tremendo blá, blá, blá... De quem não tem o que fazer.
E como dizia Belquior... (Fique fria, nenhuma passagem bíblica).
Digo Belquior o compositor letrista de minha geração:
Na verdade “Somos como os nossos pais”
Beijos
Liz
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