Era uma vez uma menina muito confusa... Ela nunca sabia o que queria. Até para as mínimas coisas cotidianas ela era indecisa. Açúcar ou adoçante? Levava horas pensando e refletindo sobre o que aconteceria se colocasse açúcar... Engorda, cárie... E adoçante? Não é tão gostoso quanto açúcar. Levava tanto tempo que o café esfriava.
Para fazer compras era um suplício! Longas horas e todas as vendedoras da loja tendo que opinar sobre qual seria a cor mais conveniente.
Quando as decisões eram mais sérias e implicavam em consequências graves, ela não dormia... Sua indecisão a impedia de conseguir pensar em outra coisa enquanto não se decidisse. Isso a consumia e deprimia.
Até que um dia, e digo, um dia apenas, tudo se clareou. Tudo tinha sido solucionado! Mas como?! - ela se perguntava... Sabia o que queria se perguntado. Não hesitava, tinha certeza! Quando queria tomar café com açúcar ela tomava, nem pensava que adoçante existia. Gostou da blusa azul... Era essa que ela levava.
Não pensem que depois desse dia mágico ela nunca mais teve dúvidas... Não, ela continua com suas dúvidas! Mas ela não procura mais as respostas... Espera que apareçam, pois sabe que todas existem e estão dentro dela.
sábado, agosto 13, 2005
segunda-feira, agosto 01, 2005
Antigamente...
ANTIGAMENTE, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficava longos meses debaixo do balaio. E levavam tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. As pessoas, quando corriam, antigamente, era de tirar o pai da forca, e não caíam de cavalo magro.Algumas jogavam verde para colher maduro, e sabiam com quantos paus se faz uma canoa. O que não empedia que, nesse entrementes, esse ou aquele embarcasse em canoa furada. Encontravam alguém que lhes passava manta e azulava, dando às de Vila-diogo. Os idosos, depois da janta, faziam o quilo, saindo para tomar a fresca; e também tomavam cautela de não apanhar sereno. Os mais jovens, esses iam ao animatógrafo, e mais tarde ao cinematógrafo, chupando balas de altéia. Ou sonhavam em andar de aeroplano; os quais, de pouco siso, se metiam em camisa de onze varas, e até em calças pardas; não admira que dessem com os burros n'água.
(Veríssimo)
E hoje??? E amanhã? As coisas estão andando em um ritmo assustador... Polícia virou sinônimo de bandido, político de corrupto. Música deixou de ser música e virou uma mistureba de batidas e palavrões. Não, não quero viver em uma ditadura... Quero simplesmente poder ficar velha e dizer: "Antigamente...". Que inveja da minha avó!
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